Celulares e Tablets como possível gerador de autismo em crianças

Celulares e Tablets como possível gerador de autismo em crianças

Maior tempo brincando com celulares e tablets, em crianças de 1 ano de idade foi associado a transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade, mas apenas em meninos.

Nos últimos tempos, eu tenho recebido em meu consultório, um número cada vez maior de crianças com diagnóstico de autismo, que é denominado cientificamente de Transtornos do Espectro Autista – TEA, e isto tem me assustado. De forma empírica, me parece que a pandemia, com a reclusão no lar da família, os pais como uma forma de distrair as crianças, deram a elas um tablet ou um celular para jogarem seus joguinhos por horas.

Um estudo publicado no JAMA Pediatrics (Jornal da Associação Médica Americana com foco na Pediatria), explica que o tempo que crianças de até um ano brincam com celulares e tablets, pode estar associado ao TEA – Transtorno do Espectro Autista aos 3 anos de idade.  Não está claro até que ponto a duração do tempo que a criança permanece focada neste tipo de distração, na infância, está associada ao diagnóstico subsequente de Transtorno do Espectro Autista.

O objetivo deste estudo, publicado pelo JAMA Pediatrics, foi examinar a associação entre o tempo de tela na infância e o desenvolvimento do transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade.

O estudo analisou dados da dupla mãe-filho em um grande número de pesquisados no Japão. Foram incluídas crianças nascidas de mulheres recrutadas entre janeiro de 2011 e março de 2014, e os dados foram analisados em dezembro de 2020. O estudo foi conduzido pelo Japan Environment and Children’s Study Group em colaboração com 15 centros regionais em todo o Japão. A exposição do estudo foi o tempo brincando com jogos eletrônicos e assistindo desenhos em equipamentos eletrônicos portáteis, em criança de até 1 ano de idade.

A variável de desfecho, crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade, foi avaliada por meio de um questionário aplicado às mães das crianças participantes.

Foram analisadas 84.030 díades mãe-filho (A díade é um par no qual a individualidade de cada um é eliminada em detrimento da unidade desse par no seio da qual se organizam certos tipos de ligações. Este termo surgiu no final do século XIX pelo sociólogo Simmel para designar um grupo de duas pessoas). A prevalência de crianças com transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade foi de 392 por 100.000 (0,4%), e os meninos tiveram 3 vezes mais chances de serem diagnosticados com transtorno do espectro autista do que as meninas.

O estudo concluiu que, entre os meninos, o maior tempo de tela ao 1 ano de idade foi significativamente associado ao transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade.

Com o rápido aumento no uso de dispositivos, é necessário revisar os efeitos do tempo de permanência brincando com celulares e tablets na saúde dos bebês, controlando o tempo excessivo.

Recomenda-se, portanto, orientação sobre o tempo que a criança brinca com estes dispositivos eletrônicos e mesmo brinquedos eletrônicos, que não estimulam a criatividade e a dificuldade, o que extremamente importante para o bom desenvolvimento das atividades mentais dos bebês.

Eu trato de crianças há mais de 40 anos como médico homeopata, e estou preocupado com o aumento significativo de pacientes (crianças) autistas cujas família me procura, buscando tratamento.

Eu entendo que o autismo é uma forma da criança se apartar ao meio onde vive, pelas mais diversas razões (família, atenção dos pais, não aceitação de ser contrariada, crianças caprichosas (manhosas), as ditadoras, que impõem sua vontade ou, simplesmente pelo apelo maravilhoso das cores e sons dos jogos e entretimentos, que aos poucos vão tirando elas do mundo real, e as levando para o mundo mágico deste tipo de distração, que considero perniciosa para a mente infantil e mesmo para a mente adulta.

Parece um pouco com um processo de esquizofrenia, onde estas crianças vão criando seu mundo de fantasia onde passam a “habitar”, e não querem mais viver o mundo real.

Eu me lembro de ter lido há algum tempo, que no Vale do Silício, na California, onde estão as maiores indústrias na área da informação e dos computadores, a escola onde estudam os filhos dos cientistas, CEO’s, e outros, não era permitido entrar com celulares, tablets e computadores até os 14 anos de idade. O modelo de ensino lá, era o tradicional, lápis, papel, quadro negro. E por que isto? Os educadores e os pais destas crianças entendiam que a eletrônica contribuía apenas para diminuir a capacidade de criação, de ousadia e inventividade, para tirar atenção das crianças e acima de tudo, torná-las, antissociais.  Aliás, hoje isto é patente, quando vemos uma família fazendo suas refeições e todos ou quase todos, ao invés de aproveitar o momento para conversarem, estão “teclando” em seus celulares.

Então mamães e papais, não distraiam seus nenês e mesmo suas crianças com a eletrônica. Comecem desde muito cedo, a oferecerem brinquedos que exijam habilidade, que criem desafios, que forcem as crianças a obter soluções por trabalho intelectual e não por soluções de jogos eletrônicos.

Uma boa saúde para todos, e até o próximo comentário.

Dr. Alexander J Saliba – alexander@salutare.com.br

 

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